Poesia por partes

đŸŽ” Duas metades đŸŽ” MĂșsica


--xxXxx--

Sufocado no meu ser...
Enquadrado no génio e desviado da mente...
Vingança em silĂȘncio...
Do amor indecente...

Perdida em memĂłrias que o tempo nĂŁo apaga,
Caminho por trilhas onde a saudade me traga...
Ciclo sem fim, dor e desejo entrelaçados,
E no silĂȘncio, segredos ficam guardados...

Com um anel de diamante, muito brilhante,
Que cairĂĄ e denunciarĂĄ o ser angustiante...
Quando tu de mim te aproximares,
Este Ă© o meu juĂ­zo,
O meu Ăłdio, o teu riso...

Teus olhos carregam sombras do passado,
Mas no brilho do anel, um futuro encantado...
Cegos pela dor que a raiva alimentou,
Duas almas feridas, o destino as moldou...

Venceste... NĂŁo posso mais...
Muito mais te tirei,
Do que entregaste...
InĂștil luta...
Tombei... Ganhaste... Esta parte...

NĂŁo ganhei, nĂŁo perdi, apenas vivi,
Na batalha do amor, tanto sofri...
E agora me pergunto, o que restarĂĄ?
Duas metades partidas, quem curarĂĄ?

Lutaste como ninguém...
Segue livre nos teus passos...
Se um dia a tristeza chegar,
NĂŁo me culpes pela dor...
Com sabor de ressentimento sĂĄbio,
Sabor diferente do teu lĂĄbio...

Caminho por terras onde a culpa nĂŁo mora,
Mas os ecos do teu nome sĂł chegam agora...
Se a tristeza vier, nĂŁo te esquecerei,
Em cada despedida, algo de nĂłs deixei...

Venci... Venci nĂŁo na razĂŁo...
Apenas na paixĂŁo...
Somos duas metades, dois destinos cruzados,
Amantes e rivais, em sonhos entrelaçados...

No eco do tempo, carrego tua marca...

E na eternidade, nossa chama Ă© centelha que arde...

Amor e dor... Melodia sem fim...
Dois coraçÔes em rima, na poesia do “sim”...

--xxXxx--

"Duas metades" Ă© uma letra adaptada do poema "Disparidade HomĂłnima" poema este publicado em 2005 por AndrĂ© L Aka Mestrinho. Um poema que mergulha nas nuances da dualidade do ser, explorando a complexidade das relaçÔes. O poema Ă© construĂ­do a partir de uma sĂ©rie de imagens poĂ©ticas que evocam um profundo senso de introspecção. O autor joga com a ideia de homĂŽnimos, palavras que soam iguais mas tĂȘm significados diferentes, para ilustrar as disparidades que existem dentro de nĂłs e nas relaçÔes humanas. Essa escolha linguĂ­stica Ă© uma forma de expressar como as pessoas podem ter percepçÔes variadas da mesma realidade, destacando a subjetividade das emoçÔes e das vivĂȘncias. Ao longo do poema, o autor reflete sobre as tensĂ”es entre amor e dor, alegria e tristeza, presença e ausĂȘncia. Essas polaridades sĂŁo apresentadas de maneira a mostrar que, muitas vezes, sĂŁo inseparĂĄveis. A beleza do amor Ă© acompanhada pela dor da perda, e a alegria pode ser ofuscada pela tristeza. Essa dualidade Ă© uma constante na vida humana e, atravĂ©s de sua escrita, Mestrinho comunica a ideia de que Ă© atravĂ©s dessas experiĂȘncias contraditĂłrias que encontramos profundidade e significado. As metĂĄforas utilizadas no poema sĂŁo ricas e evocativas, permitindo ao leitor visualizar e sentir as emoçÔes que o autor tenta transmitir. O autor nĂŁo se limita a descrever estados emocionais; ele convida o leitor a sentir as texturas e os subtextos das interaçÔes humanas. A musicalidade da sua poesia acrescenta uma camada de intensidade, fazendo com que cada verso ressoe com uma melodia prĂłpria. O autor tambĂ©m faz uma reflexĂŁo sobre a identidade, questionando o que realmente significa ser um indivĂ­duo em meio a tantas influĂȘncias e expectativas externas. Essa busca por autocompreensĂŁo Ă© um tema central no poema, revelando a fragilidade da condição humana. A disparidade entre o que se Ă© e o que se aparenta ser Ă© uma fonte de conflito interno, o poema/letra expressa essa luta com uma sensibilidade Ășnica.

Publicado originalmente aqui https://blogalizeme.blogspot.com/2005/11/disparidade-homnima.html

 

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