Vejo a vida como um ciclo contínuo de transformação, onde procuro compreender o meu lugar entre a natureza, o tempo e a consciência. Foi dessa reflexão que nasceu esta composição, uma forma de explorar questões universais como a origem, a mudança, a dúvida e a capacidade de encontrar significado nas experiências mais simples. Não pretendo oferecer respostas, mas antes convidar à contemplação. Acredito que o crescimento nasce da aceitação do movimento da existência, onde luz e sombra não se opõem, mas se completam como partes inseparáveis da condição humana. Para mim, a verdadeira descoberta não está no destino, mas na forma como vivo e compreendo cada passo do caminho. Ao unir uma linguagem poética a uma paisagem sonora envolvente, procuro transmitir uma visão da existência assente na harmonia, na interdependência e na constante renovação. É a minha forma de refletir sobre aquilo que nos liga ao mundo e de recordar que, no essencial, reside a expressão mais profunda da vida.
Letra:
Do barro nasci, à terra volto,
Entre a raiz e o vento solto.
Não há palavra que me contenha,
Sou fogo antigo, sou a lenha.
Escuto o pulso que não se vê,
Sob a pele, sob a fé.
Cresce a força onde a dor mora,
Semente escura vira aurora.
O universo que me interroga,
Silencioso, imenso, revela e joga.
Move o rio, acende o vento,
Ensina a vida em cada momento.
A dúvida que corta,
Que lança, que prende.
A noite mais escura
Também se estende.
Mas há sempre uma luz
Que ninguém compreende.
A força que interroga,
Que dorme e depois se eleva.
Vem da raiz, da pedra, do chão,
Da mesma terra que nos leva.
A vida que chama,
Ensina, conduz,
Guia, transforma,
Semente de luz.
Bebo este instante,
Calmo e selvagem.
Simples, imenso,
Como a paisagem.
Abstrato, e certo,
Ardente, sereno,
Num brilho frágil
Que nasce do pleno.
Percorri mil caminhos e mais mil,
Mas nenhum guardava o que é subtil.
Não é o fim que a alma reparte,
É o ser inteiro em cada parte.
Ó vida, tão amada,
Luz que nunca foi calada.
Sopro antigo do infinito,
Mistério puro e bendito.
Natureza sempre viva,
Força eterna que cativa.
Em cada alma faz morada,
Como chama iluminada.
No mesmo fogo ardemos,
Na mesma essência vivemos.
Para sempre entrelaçados,
Pelos tempos abraçados.
Num pulsar que não tem fim,
Tu floresces dentro de mim.
Ó vida, eterna canção,
És o sopro da criação.
