[Intro – Recitado, grave e sentido]
Despejos da beatitude[*],
Complexa, em pura atitude...
Sou feita de palavras soltas,
De sons que ecoam na noite,
Cheia de tudo… cheia de nada.
O meu nome é Poesia, diz…
Sou tua, e tua alma é minha.
Nos meus versos dançam sombras,
Luzes vivas, melancolia...
Conduzem passos incertos,
No fio breve do destino.
Ela brilha nos abismos,
Dama forte, encantadora.
Sobe e desce entre os sonhos,
Escreve febre, arde à toa!
Paira entre a razão e a queda,
É labareda que ilumina a escuridão!
É o vento que afaga e castiga,
É vinho que arde na solidão.
Palavras proibidas, vozes contidas,
Mas é sempre poesia...
Sem entender este fado,
procuramo-la, inutilmente,
Fazê-la dócil, transparente,
Indignada e coerente,
Mas jamais, jamais vencida...
Nesta voz do tempo,
Quero o fogo da verdade!
Nos lamentos do vento,
Era tudo o que eu sonhei!
Tenho medo de viver sem ter sentido...
Tenho medo de morrer sem nunca a ter entendido...
O meu nome… é Poesia…
[*] - bem-aventurança;
@Letra adaptada do poema "negridão" escrito em 2007