Há sentimentos que carregamos há tanto tempo que já nem sabemos separá-los de nós. Pensamentos que conseguimos compreender com clareza, mas que nunca encontramos as palavras certas para dizer. Este poema nasce dessa tentativa, a de finalmente dizer aquilo que tantas vezes fica por dizer. Há um nome que escolhemos não escrever, uma presença que insiste em regressar, silenciosa, mas constante.
A certa altura, deixamos de conter e começa a expandir, porque já não há espaço para guardar mais nada. E, no meio de tudo isto, existe um sentimento de tirar o fôlego. Aprender a respirar nesse espaço, entre entregar e recuar, é o verdadeiro tema deste trabalho. Um tango que nunca sabemos bem quando começou, nem se algum dia vai acabar.
O tango da vida.
Letra:
Nunca despi de mim
este sentimento sem fim
das minhas defesas minhas fraquezas
Meus medos palavras mal ditas
bem pensadas mal escritas
Há um nome que não se escreve
um rasto que se repete sem nunca se cansar
O ar guarda memória do que os olhos não contam
do que a noite deixa em aberto
O silêncio de uma sombra que atravessa o ínfimo até ao pleno
Palavras perdidas
jamais esquecidas
Torno
dilato
difundo
espalho
estendo
propago
manifesto e desabo
quebro
parto
colho
solto
O opaco
Nunca despi de mim este sentimento sem fim
Meus medos palavras mal escritas
Perto de ti sinto-me sem fôlego
Respiro
inspiro
expiro
Solto
dissipo
expando
Tango da vida
Perto de ti sinto-me sem fôlego
Respiro
inspiro
expiro
Solto
dissipo
expando
Tango da vida
Tango da vida